Procura se desenvolver na carreira marítima?

Quem escolhe a carreira marítima faz uma opção difícil. É preciso se afastar da família por longos períodos, abrir mão de um convívio social mais frequente, e enfrentar jornadas de trabalho mais pesadas que a maioria das profissões. Apesar de todas as dificuldades, se você tiver o perfil adequado e persistir na carreira, é possível atingir a tão sonhada realização profissional.

Procura se desenvolver na carreira marítima?
Procura se desenvolver na carreira marítima?

Carreira Marítima

Após 38 anos dedicados à Marinha Mercante, ainda não posso dizer que já consegui tudo que planejei na carreira. Já tive muitas experiências, tanto a bordo como em terra, mas as operações marítimas são tão diversas que ainda há muitas atividades que gostaria de desenvolver. Tripular uma plataforma de petróleo, por exemplo, é algo que só iniciei há cerca de 8 anos.

Optei por iniciar este novo ciclo no setor de petróleo ao perceber que havia uma demanda por Oficiais experientes para operar as novas embarcações do tipo FPSO, que são navios especiais que produzem, armazenam e descarregam o óleo para navios aliviadores. Sem o conhecimento e a experiência dos marítimos, este modelo de plataforma seria simplesmente inviável.

Embora as embarcações FPSO sejam como terminais oceânicos que não requerem navegação, os Oficiais de Náutica, apoiados por Mestres de Cabotagem e Marinheiros, são responsáveis pelo plano de carga e descarga do óleo, controle dinâmico da estabilidade, disposição de resíduos oleosos, tráfego e manobra com navios, segurança, salvamento, salvatagem e marinharia.

Mas a indústria de óleo e gás oferece ainda muitas oportunidades em outros tipos de embarcação, desde os petroleiros que recebem o óleo das FPSOs até os barcos especializados que apoiam as plataformas com operações de reboque, manuseio de âncora, mergulho, suprimentos etc.

É um mercado enorme com amplas possibilidades de negócio e trabalho.

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A formação, profissão e o dia a dia de um Oficial de Náutica

Formação

A formação de oficiais de náutica pode ser alcançada através de três maneiras no Brasil: a primeira, também tida como a melhor, é a formação através da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM). A segunda é através do curso de adaptação de segundo oficial de náutica (ASON) e a terceira é através do curso especial de acesso a segundo oficial de náutica (ACON).

A EFOMM tem seu período acadêmico e regras regidos pela Marinha do Brasil, sendo assim a formação é militar e todos os alunos também são. É importante frisar que para a entrada no curso EFOMM deve ser realizada uma prova que acontece uma vez por ano e envolve conhecimentos de nível médio para avançado sobre matemática, física, português, inglês e redação. O concurso é concorrido e o número de vagas limitado existindo apenas dois centros no Brasil que ministram o curso EFOMM, o CIAGA (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha) localizado na Avenida Brasil, Rio de Janeiro e o CIABA (Centro de Instrução Almirante Brás Aguiar) em Belém.

A formação, profissão e o dia a dia de um Oficial de Náutica
A formação, profissão e o dia a dia de um Oficial de Náutica

Após a aprovação os alunos são colocados em um período de quarentena onde serão habituados com a rotina militar e as regras da escola. Este período é de total isolamento com celulares e visitas sendo autorizados somente após a conclusão dele. Terminada a quarentena inicia-se o período acadêmico de três anos onde os estudantes são versados nas artes náuticas e nas leis e normas que regem o mar. Após o formação acadêmica começa o período de estagio embarcado, conhecido por “praticagem”. Este período tem duração de um ano de mar, ou seja, deve-se concluir um ano a bordo de alguma embarcação da área offshore ou a bordo de navios de longo curso ou cabotagem.

O fim da praticagem representa o término da formação de um oficial mercante independente do curso que este cursou. A documentação é retirada e com ela vem o certificado de competência (CoC) e também o diploma em bacharel em ciências náuticas, agora os recém-formados oficiais estão aptos a exercer sua função a bordo.

A profissão

Trabalhar na marinha mercante brasileira como oficial de náutica implica numa vida com muitos deveres e dificuldades. A responsabilidade a bordo para um oficial de náutica é enorme independente do tipo de embarcação. Poluição marítima, navegação, segurança, salvatagem e documentação em dia são algumas delas. Além disso a vida no mar os priva de momentos com a família, perda de datas importantes e muitas vezes a construção de relacionamentos saudáveis. Contudo a bordo existe uma segunda família, um lugar seguro, comida e sempre uma paisagem estonteante.

O ON (Oficial de Náutica) pode desempenhar inúmeras funções a bordo, que vão desde oficial de quarto de navegação (OQN) até comandante dependendo da arqueação bruta da embarcação. As atividades da função variam bastante de embarcação para embarcação. Normalmente o OQN fica responsável pela navegação da embarcação, documentação e salvatagem. O imediato tem responsabilidade na manobra, controle do pessoal de convés, segurança e salvatagem. Por fim o comandante, que tem responsabilidade sobre toda a embarcação e representação direta desta.

É uma profissão bonita e recompensadora, que possui um plano de carreira muito bem traçado, além de um leque grande de possibilidades de emprego. Os oficiais mercantes também podem optar por trabalhar em terra, ocupando cargos administrativos, controle de tráfego marítimo, estivação etc.

O dia a dia de um Oficial de Náutica

O ON a bordo de plataformas tem a liderança do convés e uma participação muito menor na salvatagem como um todo. Eles podem ocupar funções de Oficial de Náutica, controlador de lastro, Operador de posicionamento dinâmico, coordenador de embarcações e gerente de plataformas.

Como dito as atividades variam de embarcação para embarcação, portanto será tratado exclusivamente da rotina de oficiais a bordo de plataformas na função de ON.

Como Oficial de Náutica está incluso na rotina a verificação do estado do convés afim de notar algum desvio, verificação do estado dos pocetos com o objetivo de saber se estão operantes e num nível satisfatório. Cuidados com a documentação de bordo, ajuda no preenchimento dos RDO e na verificação de BM. O oficial tem responsabilidade sobre o Diário de Náutica, ROL de equipagem e CIR da tripulação marítima a bordo e o mais importante, realiza todas as manobras juntamente com o pessoal de bordo.

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