O compromisso ESG de uma mineradora também se demonstra pelo histórico de seus ativos, construído a partir das atividades de manutenção. Indicadores como disponibilidade, MTBF, MTTR e backlog, somados aos registros de cada intervenção, ajudam financiadores e órgãos fiscalizadores a avaliar como os riscos são gerenciados. Quando esses dados são registrados de forma consistente na rotina de campo, a gestão de ativos na mineração passa a oferecer evidências que contribuem para os relatórios de sustentabilidade.
Em 2026, operações de mineração no Brasil registraram aumento de produção no terceiro trimestre. Junto com o crescimento do volume, ganha relevância uma questão nas conversas com bancos, investidores e órgãos licenciadores: como demonstrar que a expansão ocorre com os riscos operacionais devidamente gerenciados?
Durante o Invest Mining Summit 2026, em São Paulo, o economista Joaquim Levy estimou que o setor poderia crescer até 5% ao ano até 2050. Entre as condições apontadas estão investimentos em infraestrutura, segurança regulatória e maior aproximação com o mercado financeiro. A entrada de novos recursos, porém, vem acompanhada de processos de diligência. E esses processos exigem dados consistentes.
Por que a mineração precisa demonstrar a confiabilidade de seus
O cenário recente em Minas Gerais evidencia alguns desafios do setor. Há operações que processam volumes maiores com teor médio menor e custos de produção mais elevados, pressionados, entre outros fatores, pela energia. Em determinados casos, novas plantas de beneficiamento foram licenciadas para compensar a redução do teor. Para os equipamentos, esse contexto pode representar mais horas de operação, maior carga e maior exposição a materiais abrasivos para produzir a mesma tonelada.
O licenciamento ambiental também está diretamente relacionado à operação. Autorizações recentes para o reaproveitamento de rejeitos de minério de ferro foram vinculadas à descaracterização de barragens antigas. Nesse contexto, parte dos resultados da agenda ambiental depende também do desempenho e da gestão diária de equipamentos como correias transportadoras, britadores, bombas e espessadores.
Nesse cenário, a confiabilidade dos ativos ganha espaço nas pautas da diretoria. Ela contribui tanto para responder às exigências de financiadores e órgãos fiscalizadores quanto para proteger os profissionais que atuam na operação.
Os indicadores de manutenção que viram evidência
Cada indicador clássico de manutenção responde a uma questão relevante também para quem acompanha a operação de fora da área.
- Disponibilidade: indica a capacidade de o ativo estar apto para operar e contribuir para o cumprimento do volume planejado. É um dos indicadores considerados na avaliação do desempenho de um ativo produtivo.
- MTBF (tempo médio entre falhas): indica o intervalo médio entre falhas e ajuda a avaliar a confiabilidade do equipamento. Falhas recorrentes em correias ou britadores podem representar riscos à segurança, além de comprometer a produção.
- MTTR (tempo médio para reparo): indica o tempo médio necessário para restabelecer a condição operacional após uma falha. Tempos elevados podem prolongar a exposição das equipes às áreas de intervenção.
- Backlog: representa o volume de serviços pendentes. O crescimento do backlog em ativos críticos pode sinalizar a necessidade de reavaliar prioridades e capacidade de execução, pois pode contribuir para o aumento dos riscos operacionais.
- Histórico por equipamento: reúne os registros das intervenções, incluindo datas, causas identificadas e soluções aplicadas. Essas informações permitem acompanhar a trajetória do ativo e consultar evidências em auditorias.
Esses indicadores ganham relevância quando são acompanhados segundo referenciais de gestão de ativos, como a série ISO 55000, e quando os dados apresentados nos relatórios têm origem rastreável nos mesmos registros utilizados pelas equipes de campo no planejamento da manutenção.
Há um ponto de atenção: a qualidade do indicador depende da qualidade do registro. Notas sem causa identificada, ordens encerradas sem informação sobre os materiais utilizados e intervenções realizadas fora do sistema comprometem a confiabilidade dos dados. Por isso, a qualidade da informação começa no campo e depende do preenchimento adequado e do encerramento correto de cada ordem de serviço.
O que uma operação de campo demonstra
Em um contrato de manutenção em uma operação de mineração e materiais de construção, uma equipe de três profissionais atuou, durante seis meses, nos equipamentos de transporte de materiais e britagem. Trata-se de um ambiente com poeira, vibração, impactos contínuos e materiais abrasivos, no qual o desgaste faz parte das condições operacionais.
O volume de atividades realizadas no período dimensiona o trabalho: foram 120 trocas de roletes, mais de 90 desobstruções de chutes, 15 reparos com solda em equipamentos em operação e mais de 80 notas de reparo abertas e executadas.
O diferencial está na abordagem adotada. As trocas de roletes foram planejadas em ciclos preventivos, definidos para antecipar o desgaste e reduzir a probabilidade de falhas. De acordo com o relato do contrato, essa rotina contribuiu para reduzir as paradas emergenciais e os custos de manutenção corretiva.
A equipe também identificou 80 pontos nos quais a instalação de proteções de correia poderia aumentar a segurança e a vida útil dos equipamentos. As melhorias foram executadas no próprio contrato. Cada proteção instalada representa uma medida concreta de controle de riscos na área.
O próximo passo indicado no contrato é ampliar o registro digital das intervenções por equipamento. Esse registro permite transformar a execução em histórico e utilizar as informações acumuladas para estruturar planos preventivos mais aderentes aos ciclos de desgaste de cada tipo de máquina. Assim, o trabalho de campo passa a gerar dados que podem subsidiar os indicadores e os relatos relacionados à agenda ESG.
Segurança como resultado de uma gestão adequada dos ativos
Ativos com manutenção adequada apresentam menor probabilidade de falhas e de intervenções emergenciais, situações que podem ampliar a exposição das pessoas a riscos. Por isso, os indicadores de manutenção e de segurança devem ser analisados de forma integrada.
Em mais de quatro décadas de atuação em ambientes industriais de alta complexidade, a Infotec Brasil não registrou acidentes fatais ou críticos com incapacidade física. A empresa possui certificações nas normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001. Esse histórico está associado a práticas de gestão que também contribuem para a confiabilidade dos ativos, como planejar as intervenções e registrar os serviços executados.
A escolha de um parceiro de manutenção também se torna uma decisão de governança. Além da execução dos serviços, esse parceiro deve contribuir para a geração de dados confiáveis, capazes de apoiar a gestão e a confiabilidade dos ativos.
“Quando uma mineradora apresenta suas metas de segurança e de meio ambiente, a pergunta seguinte é como comprova os resultados. A resposta também está no histórico de cada equipamento: no que foi feito em cada intervenção e por qual motivo. Esse registro é construído diariamente por quem executa a manutenção e contribui para dar consistência às informações apresentadas nos relatórios.”
Sander Elias, Diretor Comercial e Marketing da Infotec Brasil
Principais pontos:
- O compromisso ESG da mineradora também pode ser demonstrado pelo histórico dos ativos, construído a partir dos registros de manutenção.
- Disponibilidade, MTBF, MTTR, backlog e histórico por equipamento fornecem informações relevantes para a análise da segurança, do desempenho ambiental e da governança operacional.
- A confiabilidade dos indicadores depende da qualidade dos registros realizados no campo e do correto encerramento das ordens de serviço.
- A manutenção preventiva e as melhorias de segurança executadas podem gerar evidências concretas de controle e redução de riscos.
Há mais de 40 anos, a Infotec Brasil atua na gestão de engenharia, manutenção e logística de operações industriais complexas. Conecta pessoas, processos e inovação para que cada intervenção em campo gere informações que apoiem a confiabilidade e a governança dos ativos de seus clientes.


